Set 262009

Para que o discurso tenha coerência, um dos factores determinantes é o da sua adequação a uma situação (contexto situacional).

Os dois elementos envolvidos na produção de qualquer enunciado – locutor e interlocutor – inserem-se num tempo e num espaço determinantes e partilham (ou não) de um universo de referência – o mundo extra-linguístico:

Voltarei lá amanhã para comprar aquilo que tu sabes.

 

É a partir do triângulo – eu/aqui/agora – que se estabelece um depois (amanha), num determinado lugar (lá) em relação a um determinado universo de referência partilhado pelo interlocutor (aquilo que tu sabes).

Os deíctos – do grego deixis (“mostração”). São termos que, não tendo um valor referencial próprio, permitem situar o enunciado em relação a um tempo, a um espaço, aos sujeitos e às circunstâncias diversas da enunciação, conferido, assim, coerência ao texto.

 

Quadro – síntese: deícticos

Deixis pessoal

Deixis espacial

Deixis temporal

Deixis circuntancial

Refere o estatuto de participante num acto de fala (EU/TU – participante; ELE – não-participante). Refere a localização no espaço relativamente ao AQUI enunciativo. Aos deícticos espaciais determinam a relação de proximidade maior ou menor relativamente ao lugar ocupado pelo locutor. Diz respeito à utilização do momento da enunciação (AGORA) como marco de referência para a localização. O tempo é de natureza deíctica: presente, passado e futuro não são noções absolutas, são relativas ao momento de enunciação. Refere-se a qualquer circunstância evidente nos contextos compartilhados pelos falantes.
Deícticos pessoais:

ü  Pronomes pessoais

ü  Possessivos

ü  Desinências verbais de pessoa

ü  Vocativos

 

Deícticos espaciais:

ü  Demonstrativos

ü  Advérbios de lugar

ü  Alguns lexemas (por ex.: verbos de movimento, como ir, vir, trazer, levar)

Deícticos temporais:

ü  Advérbios de tempo

ü  Desinências verbais de tempo

Deíctico polivalente:

ü  Assim (ex.: não deves pensar assim. Faz assim.)

 

Quadro organizado tendo por base “Deixis e pragmática linguística”, Fernanda Irene Fonseca (1996), in Introdução à Linguística Geral e Portuguesa, org. de Isabel Hub Faria, Emília R. Pedro, Inês Duarte, Carlos Gouveia, Ed. Gaminho, Lisboa

Set 262009

Durante os próximos dias vou falar um bocado sobre os erros ortográficos que costumamos dar no dia-a-dia. Não é que eu escreva sem dar erros, mas assim é uma maneira de eu me lembrar do que aprendi no curso de português e esclarecer algumas mentes.