Out 202009

«Era verão e as férias tinham começado há uma semana. Como sempre, estava na Nazaré, na casa da minha avó. Este ano ia ser diferente. Tinha 17 anos há poucos dias e, finalmente, ia poder sair à noite com as minhas primas e os amigos.

Na praia fazíamos as parvoíces do costume: jogar raquetes, piscar os olhos aos rapazes, contar anedotas, comer gelados.

O Paulo era mesmo muito giro. Tinha 19 anos e olhos verdes. Sei lá porquê, foi a mim que escolheu e eu ia morrendo derretida quando ele me perguntou ao ouvido: “queres namorar comigo?”, como nos filmes antigos e nas novelas…

Não era só uma paixão de verão. O Paulo dizia isso todos os dias e, quando as férias acabaram e cada um voltou para sua casa, escrevíamos, telefonávamos e, fim-de-semana sim, fim-de-semana não, viajávamos 60 quilómetros para nos encontrarmos.

Eu era virgem. Ao fim de quatro meses de namoro já tinhamos “avançado” tanto que resolvi tomar a pílula. Claro que sabíamos que não podíamos ter um bébé!

Fizemos amor três vezes. Começaram os exames, o Paulo tinha muito que estudar, cada vez tínhamos menos contacto.

Comecei a sentir-me estranha: tinha náuseas, um pouco de febre, estava sempre indisposta. Fui ao médico, fiz um teste para saber se estava grávida. Não, não estava. O Paulo telefonou. Tinhamos que falar, ele tinha feito as pazes com a ex-namorada, era uma história complicada, tinham namorado dois anos, terminaram, andaram com outras pessoas, voltaram, blá, blá, blá… O verão acabou, defenitivamente. E não houve Outono. A transição foi de 40 graus à sombra aí para uns dez negativos.

Pensava que todo este desconforto físico que sentia tinha a ver com a devastação emocional provocada pela perda. As minhas amigas dkiziam-me que já não se morre de amor. Não é verdade. Tenho 32 anos e estou a morrer. De SIDA ou de amor, agora já tanto faz…»

 

“in amar amar perdidamente

amar amar seguramente

Marta”

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