Para que o discurso tenha coerência, um dos factores determinantes é o da sua adequação a uma situação (contexto situacional).
Os dois elementos envolvidos na produção de qualquer enunciado – locutor e interlocutor – inserem-se num tempo e num espaço determinantes e partilham (ou não) de um universo de referência – o mundo extra-linguístico:
Voltarei lá amanhã para comprar aquilo que tu sabes.
É a partir do triângulo – eu/aqui/agora – que se estabelece um depois (amanha), num determinado lugar (lá) em relação a um determinado universo de referência partilhado pelo interlocutor (aquilo que tu sabes).
Os deíctos – do grego deixis (“mostração”). São termos que, não tendo um valor referencial próprio, permitem situar o enunciado em relação a um tempo, a um espaço, aos sujeitos e às circunstâncias diversas da enunciação, conferido, assim, coerência ao texto.
Quadro – síntese: deícticos
|
Deixis pessoal |
Deixis espacial |
Deixis temporal |
Deixis circuntancial |
| Refere o estatuto de participante num acto de fala (EU/TU – participante; ELE – não-participante). | Refere a localização no espaço relativamente ao AQUI enunciativo. Aos deícticos espaciais determinam a relação de proximidade maior ou menor relativamente ao lugar ocupado pelo locutor. | Diz respeito à utilização do momento da enunciação (AGORA) como marco de referência para a localização. O tempo é de natureza deíctica: presente, passado e futuro não são noções absolutas, são relativas ao momento de enunciação. | Refere-se a qualquer circunstância evidente nos contextos compartilhados pelos falantes. |
| Deícticos pessoais:
ü Pronomes pessoais ü Possessivos ü Desinências verbais de pessoa ü Vocativos
|
Deícticos espaciais:
ü Demonstrativos ü Advérbios de lugar ü Alguns lexemas (por ex.: verbos de movimento, como ir, vir, trazer, levar) |
Deícticos temporais:
ü Advérbios de tempo ü Desinências verbais de tempo |
Deíctico polivalente:
ü Assim (ex.: não deves pensar assim. Faz assim.) |
Quadro organizado tendo por base “Deixis e pragmática linguística”, Fernanda Irene Fonseca (1996), in Introdução à Linguística Geral e Portuguesa, org. de Isabel Hub Faria, Emília R. Pedro, Inês Duarte, Carlos Gouveia, Ed. Gaminho, Lisboa






